quinta-feira, 6 de novembro de 2008

TOURO DA VILA DA PENHA

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Leninho marca um encontro com sua amiga e o namorado. Um casal que ele havia conhecido em Juiz de Fora durante um festival de bandinhas de rock. Eles acabaram de chegar ao Rio e pedem para que Leninho vá para Rua Bartolomeu Mitre no Leblon – onde o referido casal o espera.
Cruzando a esquina, Leninho extasiado abraça os dois. Há muito tempo eles não se vêem desde aquele mesmo mencionado dia. O casal convida-o para conhecer um outro amigo íntimo deles, cujo nome é Gerson. Ele reside num apartamento nesta rua, mais precisamente no fim da rua. Eles entram no prédio. O porteiro avisa o tal residente – Gerson – que imediatamente autoriza a entrada dos três.
Chegam ao 18° andar. E Gerson já deixa a porta entreaberta aguardando a chegada. Ele tinha acabado de fazer a barba e posto uma loção francesa caríssima. Os quatro conversam bem animados. Gerson já procura entreter Leninho abrindo uma garrafa de champanhe de uma safra rara da Espanha. E Leninho, óbvio! Aceita sem titubear...
Gerson teve a idéia de levá-los para sair por aí pelas noites badaladas e eufóricas da Zona Sul. Adentram todos os bares, embebedam-se ininterruptamente. O Casal se agarra em ritmos desenfreados e frenéticos. Enquanto, Gerson entreolha, observa Leninho a flertar as minas que circulam por ele.
Os quatro apocalípticos pegam o táxi, dirigindo-se de volta ao “apart” de Gerson, já completamente inebriados de várias substâncias etílico-lícitas e outras ilícitas. Aconchegam-se na sala. Gerson resolve colocar um disco do Edison Cordeiro cantando sucessos da Disco Music. Ele já pula pra música I Will Survive. E diz – “que é pra manter o astral fluindo!...”
O casal com a libido explodindo pelos corpos, cai no quarto defronte a sala-de-estar e começa a trepar seguidamente e os gemidos despertam ávido tesão em Gerson. Porém, ele ainda tenta se segurar. No entanto, ele vai à cozinha prepara umas rodelas de presunto-faisão e abre uma garrafa de cachaça importada lá dos confins do Acre – outra rara safra, outro achado – como o próprio Gerson se refere. Leva os aperitivos e a bebida até a sala. Enquanto, Leninho repara uma foto emoldurada num quadro de Gerson ao lado da Madonna fazendo uma pose meio reveladora. Gerson comenta sobre esta foto e conta detalhes sobre a sua vida, sobre suas empreitadas profissionais:
- Escute garoto! Eu já trabalhei na Globo sendo dublê do Miguel Falabella na novela Mico Preto em 1990. Você não me acha bastante parecido com ele? Só que eu sou bem mais bonito, você não acha, meu garoto?
De fato, o pior que ele é sim, demasiado parecido com o tal ator. E então, papo vai, papo vem. Entre um copo e outro. Entreolhares de Gerson. Os dois sozinhos. O casal abandonou Leninho para fornicar no quarto. Mas Leninho não é otário. Já se liga na maldosa malícia de Gerson que subitamente sai. Indo até o banheiro. Retorna a sala, envolto num roupão de seda azul. Repete a faixa I Will Survive. Tira e arremessa a veste contra a parede quase acertando a face de Leninho. Rebola gazelamente vestindo uma cueca amarela com o desenho do piu-piu. Tenta puxá-lo para bailar. Confessa que está gamado por ele, que está louco e não se agüenta de tanto calor no peito (depilado à cera quente num salão-de-beleza no Horto). Deseja-o com todo furor. Leninho se esquiva. Gerson insiste na garra, na raça, na lábia. Mas, dali não sai nada. Gerson lhe promete uma vida de príncipe, de rei, de barão, de imperador, de lorde. Oferece um excelente emprego em uma das suas lojas de confecção de roupas, das quais ele é o principal dono. Não satisfeito, dá mais uma cartada em detrimento desta árdua cantada oferecendo-lhe uma posição de patrão, de chefe, de dono junto a ele nos negócios. Mas, mesmo assim, Leninho recusa a proposta. Na última tentativa, Gerson oferta-lhe uma proposta de viajar e conhecer a cidade de Veneza:
- Benzinho, você não gostaria... Você não gostaria de conhecer Veneza, passear de canoa ao som de violinos e oboés...
- Ah, porra! Eu não! Tudo que eu quero agora é uma viagem com retorno até a minha casa!
- Por favor, meu garanhão! Namora comigo.
- hum, tá bom... Vou namorar contigo... imagina só a cena. Eu chegando com você lá em casa. Oi pai, beleza! E aí mãe, beleza! Esse aqui é o meu namorado – Gerson. Imagina!...
- Ih! Quequetem!?!
- quequetem... que eu quero que tu abra a merda dessa porta, que eu vou vazar daqui, seu viado! Sua bicha safada!
- Tá bom, vou te levar até o elevador...
O elevador pára, abre a porta. Leninho entra, o elevador desce lentamente. E ele vê na fresta da janelinha. Gerson serelepe, mexendo as mãos e umedecendo os lábios em êxtase, incontrolável, agitado e murmurando:
- Tchau... Tchau... Meu gostoso... meu garanhão... meu touro da Vila da Penha...





FELIPE REY
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1 comentários:

rita disse...

invista mais em crônicas, esta tá ótima, vou deixar um comentário pra vc como depoimento no orkut, mineirim esperto, sô!!!!!

 

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