segunda-feira, 28 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
FAMILIARES ALDEIAS DO SER
http://www.laestampa.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/1984-keith-haring-arbre-de-vie-tree-of-life-american-painting1.jpg
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Os distúrbios da maquinaria do dia roendo meu nariz causando convulsão em meus ouvidos.
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Os distúrbios da maquinaria do dia roendo meu nariz causando convulsão em meus ouvidos.
Germes agrupando-se em meus poros & pêlos & pernas que jamais serão amputadas.
A Cidade é cosmopolita – os carros do caos atropelam a vizinhança toda.
Cerne do firmamento – nosso habitat ainda natural – instintos animais não extintos.
Meus intestinos não se adaptam a confusão de frituras, congelados & carnes empapadas ensopadas de sangue venoso.
Eu cuido deste túmulo que eu durmo e ronco até ficar rouco –
locomovido por loucos motivos que me desloca para locais inóspitos que de certa forma me agradam.
Intocado na toca na oca da tribo atribulada triturada por essa sociedade civil desgraçada!
eu não sou como você pensa, como eles pensam, como vocês pensam, como todos nós todos pensamos!
Tenho todos os requisitos para viver em comum paz superior com aqueles que almejam a serenidade –
pois passei todos os meus dias semanas meses anos horas dedicados a
consulta e a idolatria dos ensinamentos de Allen Bob Dylan Thomas,
e digo. sim. e confirmo tudo que aprendi fielmente.
As faculdades mentais não me anulam – as faculdades mentais me informalizam ao mundo secreto dos belos e ignorados.
Oh Lua me diviniza! como fizeste perfeitamente aos meus bravíssimos ídolos!
Ponho meu anel de rubro rubi folheadourado escrevo & decanto & declamo para os meus amores únicos & solitários.
Sonho que estou flutuando pelos cômodos da minha casa, voando pelas nuvens arranhadas do Céu do Mar.
A tarde me despertando para agarrar a cabeleira & as barbas negras de Cristo.
E eu sossego neste Infinito nesta infinitude ou melhor numa plena miríade de bocas & bucetas.
Assim visto seu espartilho, minha Mãe!, uso seus óculos quadrados, meu
Pai! – sem sapatos & meias – debalde me perco em familiares aldeias
do Ser.
FELIPE REY
segunda-feira, 30 de abril de 2012
EM SOMBRA DE RESGUARDO
Dessa sua sebenta pele amilscarada
expressa exprime espreme
em compressas de gazes
um sangue venoso esverdeado
combinando
com a amarelidão do pus
que sai de dentro da tua face,
outrora, disfarce
pra suportar
ou sucumbir com tantas mossas.
Por que entras em fossas?
Tumbas
catacumbas
macumbas te querem empalidecer
o clarenigma que carregas no âmago da alma.
Fostes o quê nestas tenebrosas passagens?
Envergado no criadouro de pensamentos
maledicentes.
Sentes a pressa que apressa depressa tua pressão
já desancorada num embarcadouro sem direção.
Desejas um fogaréu de amor!
Mesmo nesse estado decrépito, putrefato
que, de fato,
te encontras.
Leviatã & Levita já levitaram leves
pelos desertos do Além-Jerusálem
repercutindo os ecos do novo mundo, da nova vida –
o sacerdócio do ócio do Kaos.
Vá honrar o vaticínio do teu nome.
Perca-se em fascínios indubitáveis
assim poderás ressurgir sacramentado
na profanação de uma crença sagrada
carregado
por uma carruagem que trespassará
o limiar
desse agora,
deleitoso lupanar.
Querido plebeu,
vá repousar!
FELIPE REY
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Perscrutação ou Coleta de um Indivíduo Coletivo
ao irmão que não tenho
ouça atenção a cada movimento e respeite
a sabedoria vital dos tempos os percalços os percursos
destinados por deus que ninguém sabe direito
nas procissões nas missões corriqueiras correm
devaneios em busca da pureza límpida
mas nada é tudo pra escorrer as marcas as manchas
as marchas dos pés consternados vidrados
na teoria da constipação que assola
os mecanismos de nossa carne defétida
esterilizando toda possibilidade de novas fecundações
aos serirmãos que não creio
ouça a respeito a tenção do movimento
desdobre os sinos por quem se espera e desespera
na virada dos séculos de armagedon
avultando vidas e vidências com o sentimento
de mera-mea-culpa de quem não quer se recuperar do susto
desproporcionado ao antepoder dos meios de engano
ao irmão que ojerizo e quero morto
me sinto beatbeatificado bestificado basbacado para
lisado pra dizer que não estou equivocado e sim
fui convocado convidado a ser dado como alimento
às novas eras de chamamento da construção monumental
da loucura sana sanitária que me clarifica nos instantes
que mais preciso que mais precisamos obrigado por me escrutarem escutando.
FELIPE REY
sábado, 14 de abril de 2012
50 g
.
um coração só se cura
com loucura
ou minha graveflex
digitando sonoro na sua cuca
não adianta atrasar
o que vem adiante
é o vapt-vupt tic-tac do pulsar das horas
pressão alta dos dias
quando chego em casa e deito na cama
uso minha graveflex
50 gramas
felipe rey
um coração só se cura
com loucura
ou minha graveflex
digitando sonoro na sua cuca
não adianta atrasar
o que vem adiante
é o vapt-vupt tic-tac do pulsar das horas
pressão alta dos dias
quando chego em casa e deito na cama
uso minha graveflex
50 gramas
felipe rey
sábado, 7 de abril de 2012
qualquer dia estou
.
qualquer dia eu estou por aí
como um cachorro macilento
pelo asfalto poeirento
catando comida
à guisa de subsistência
o elemento-surpresa
da distorção moral
um mendigo de fim-de-semana
entre quatro paredes
cantarolando músicas estranhas
escrevo escrevendo
faço fazendo
chover e
raiar no rosto casto da mulher que invento.
felipe rey
segunda-feira, 26 de março de 2012
visceral
.
refletindo voraz
é o absurdo do dia
e não é uma parada:
estoy-muy-loco-insane-in-the-brain
é veloz
trincado branco no preto
preto no branco
vontade de penetrar até me perder no túnel
idílios
dormindo ou acordado
minha cidade é pó e mato
e eu sou violento e apaixonado quando vivo.
Felipe Rey
refletindo voraz
é o absurdo do dia
e não é uma parada:
estoy-muy-loco-insane-in-the-brain
é veloz
trincado branco no preto
preto no branco
vontade de penetrar até me perder no túnel
idílios
dormindo ou acordado
minha cidade é pó e mato
e eu sou violento e apaixonado quando vivo.
Felipe Rey
quinta-feira, 15 de março de 2012
fio da terra
.
toques lentos leves dos dedos
no saxofone do seu homem
rubras bocas solfejando
o saxofone do seu homem
buceta-língua-mãe engatilhada
no saxofone do seu homem
a música escorre
em trilha de sons e símbolos
(silêncio)
orgasmos múltiplos
espelhos do quarto
registrando
nossa redenção nossa cura
na cama no chão na pátria na terra
felipe rey
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
estrada reta
.
feroz ao meu tempo
feroz ao meu tempo
teu modo não me condena
quem é pai?
ou mãe?
drogas são totens
condutas feridas
cheiro
choro
nossas despedidas
voltaremos daqui a pouco
engano teu eu sou dor e alívio
aqui rasgo os meus papéis fazendo a trilha de qualquer destino porque preciso muito de ti.
felipe rey
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Terapia idílica
.
p/Monique Rosa Brasil
nascemos índios
devemos andar paramentados com as cores das bandeiras da América
pelas escadas da Lapa
beber ayahuaska engarrafada
adquirida num depósito meio seita
alô telefonista
quero uma passagem sonora para Minas
ela precisa da minha água e do meu fogo
somos feitos de fumaça e paixão
hora da primeira comunhão
reintegra-se e não se desintegra
a hóstia sagrada
a pedra filosofal
a planta medicinal
a cura
das tuas ânsias
aqui tem todo o conforto da alma
que te espera
hair in the air
um jardim suspenso no céu.
- Felipe Rey
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