quarta-feira, 3 de março de 2010

cantos Gregórios

 



Abençoam-me
Deuses da loucura feérica!
Eu também vou me lançar
na chuva, no sol, na lua,
na relva da noite do dia.

Quão deus dos desgraçados
venha me inventar como poema,
Gregório de Mattos
atire os seus satíricos sonetos barroqueiros

para todas as Marias dos povos
das baías dos rios dos recifes do Brasil
para todos os clãs dos subúrbios obscuros
da rebeldia, heresia e picardia
para todos os homens, mulheres, cantores,
cantadores de rua decantarem em bárbaras operetas
ou modas de viola
ou rodas de fado
que tudo agora pode dar samba
no pé de quem é desbaratado como eu e você!

E pervagaremos ladeira acima
e fornicaremos com madres, freiras, abadessas
que translucidamente se imaginam
prostiputas de meretrícios dos centros da cidade.

Eu tenho vontade de ser nu como tu,
Gregório!
Quebrar a Cruz e ser fodedor de cus como tu,
Gregório!
Em vossa época,
o sexo era algo tão ao natural,
mas, ainda é uma função extremamente vital.
Como, por exemplo:
realizar uma selvagem viagem a vagina
de Valquíria
de Violeta
de Margarida
de Madalena
de Guilhermina
de Catarina...
Ambas, musas belas feras bestas
cadelas pouco puras.

Minha epiderme é negra,
a sua não!
Porém, sentes tão ébano quanto sou.
Gostavas sempre de baixar em Terreiros.
Chacoalhar, sarabandar, saracotear, fervilhar,
mamolengar, maculelejar, sacolejar
as ancas junto com a negrada bahiana.

Xangô Gregório feiticeiro,
tu me ensinastes tantas coisas
e eu mero aprendiz
descobri que posso ser Ogum das caminhadas celestiais,
Alexandre das grandes batalhas colossais,
escrever novas trovas, novos Lusíadas
e ser o Sábio Senhor das Luzes Astrais.

Experimentei tuas moléstias,
teus tresvarios, tuas aventuras, tuas desventuras,
tuas agruras,
tuas contrastantes iluminações,
tuas escuridões,
tuas desatinadas devassidões,
tuas ambíguas e complexas paixões,
tuas salvações,
tuas mil bocas murmuradas
e beijadas pela sua pomposa e vadia poesia.
Experimentei, em suma, teu mais completo universo mundano.
De sobremaneira, me contento bem contente com tudo isto.

Ora, digo:
Bangüê, o que será de vassuncê?
Bangüê,
o que será de minha pessoa?
Bangüê,
termino por escrever
esse poema na boa, bangüê!




FELIPE REY

3 comentários:

DIABLOG disse...

gregório era um chato
de galocha, assim como
o luís delfino que se contorciam
prá buscar rima e métricas
que servissem aos seus propósitos
buscando na forma a verdade
de seus versos

Lic@ disse...

menino-homem!!!!! em sua veia não corre sangue, correm palavras... de verborragia em verborragia vai compondo suas poesias, pós modernas e mesmo assim eternas como tudo que é escrito fica de registro para o porvir. Pobre de mim que pensei que boêmios não mais existissem. Aqui deixo meus caracteres singelos porém sinceros. Um brinde a sua arte!!!!

Clebson Trajano disse...

Gostei bastante do seu blog além do mais sou fã da poesia gregóriana... se quiser da uma olhada na minha literatura. www.relicariopoetico.blogspot.com


Bino Silva (Clebson Trajano)

 

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